domingo, 11 de março de 2012

Violeta Parra, a maior de todas...

Com sua filha Carmem Luisa, em Genebra. 1963

A chilena Violeta Parra (1917 - 1967) foi, sem dúvida, a maior artista das Américas. Cantora e compositora, poeta, ceramista, tecelã, pintora, pesquisadora, a militante comunista compôs duas das maiores obras-primas da humanidade, as canções Gracias a La Vida e Volver a Los 17.

Artista desde criança, cantou em todos os cantos do Chile, pesquisando e apresentando a cultura dos povos pobres de seu país: seu modo de ver o mundo, suas tristezas, suas alegrias e seus sonhos. Chegou a dar aulas em universidades chilenas sobre cultura popular e participou ativamente da luta política do povo, junto a Pablo Neruda, Patrício Manns, Rolando Alarcón, Victor Jara e muitos outros. Compôs inúmeras músicas que discutiam ativamente a situação das pessoas oprimidas e que lutavam por transformações radiciais em seu país.

Antes de falarmos sobre suas músicas, veja abaixo uma tapeçaria de sua autoria, e uma entrevista em que comenta algumas de suas obras visuais:

La Cantante Calva. 1960. 138 x 173 cm. Juta bordada com lanigrafia. Fundación Violeta Parra.



Mas foi com a música que fez suas obras mais afiadas. Uma de suas canções mais famosas, Volver a Los 17 foi gravada por inúmeros intérpretes mundo afora, entoando versos sobre a juventude e o amor. Segue abaixo uma versão da própria Violeta e uma cantada por Mercedes Sosa, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Gal Costa.




Da mesma forma, Gracias a La Vida, se tornou um ícone da música latino-americana, cantada e traduzida para as mais variadas línguas, é a canção maior de agradecimento humilde a vida. Abaixo, com a própria Violeta e com Elis Regina.



Dessa seleção que estamos fazendo, depois das duas grandes obras-primas, vale ressaltar alguns exemplos de suas músicas de denúncia, como Rin de Angelito, sobre a morte prematura de uma criança, ou ainda El Pueblo (ou Paseaba el Pueblo Sus banderas Rojas) com poesia de Pablo Neruda, sobre as lutas socialistas do povo: 




Ou ainda Por Que los Pobres No Tienem, falando sobre a pobreza e seus inimigos, os donos de terra, a igreja e o capital. Ouça abaixo em versão de sua filha, Isabel Parra:


Podemos ainda encontrar canções como Que Dirá El Santo Padre, em que ataca a Igreja, tradicional reduto conservador e de apoio às elites, e onde também homenageia o líder comunista Julián Grimau, assassinado pela ditadura fascista espanhola:


E por fim, um exemplo clássico de música política, feita não só para a denúncia, mas para a intervenção política e popular: La Carta. Violeta recebe uma carta onde informa que um de seus irmãos havia sido preso por apoiar uma greve, pela polícia política de então. Na música, Parra dá sua resposta atacando as elites e reafirmando que além deste irmão, ela teria outros nove, todos comunistas, e que todos seguiriam lutando. Aqui não há mais a concepção burguesa de arte, como produto autônomo de um autor especializado, que objetiva sensibilizar ou gerar reflexão em seu público. Mas uma lutadora, que encontra no trabalho de cantora e musicista, uma possibilidade de intervir em sua realidade:



Esses são alguns poucos exemplos de mais de 500 músicas que Violeta compôs, é possível ler todas as letras e títulos no inestimável Portal Cancioneros.com:  www.cancioneros.com/ca/4/0/cancionero-de-violeta-parra 


Vale, ainda, conferir sua biografia completa, suas obras e fotografias, no site de La Fundación Violeta Parra, fundada por seus filhos: http://www.violetaparra.scd.cl/.

Ou, por fim, assistir ao filme Violeta Se Fué a Los Cielos, de Andrés Wood, feito em 2011, que tenta contar a história dessa grande mulher (mas que no entanto foi muito criticado por Tita Parra, neta de Violeta):



Como diria Neruda: Gracias por tu luz, Violeta Parra!