Daniel e sua arma.
Viglietti, em sua vida, é preso e exilado, mas até hoje contribui com as lutas políticas do povo. Seja cantando, escrevendo ou em seu ativo programa de rádio. No Uruguai ou em outros países, Daniel participa de eventos como a Mostra Cultural de Integração dos Povos Latino-americanos, promovida pelo MST em 2008 ou como no Fórum Social Mundial de 2010, ambos em nosso país.
Entretanto, Daniel permanece quase como um desconhecido no Brasil. Mesmo sendo o autor de inúmeras versões de canções de Chico Buarque e Edu Lobo para o espanhol, como "Construcción", "Dios Le Pague" ou "Upa, Negrito". E mesmo sendo autor de músicas até mesmo mais sofisticadas do que estes tão famosos autores brasileiros.
Ao mesmo tempo em que produzia canções de refinado apuro técnico, ele foi autor de músicas formalmente mais simples, mas de impacto político profundo, como "A Desalambrar", cantada por dezenas de cantores mundo-afora, e que na voz de Victor Jara, se tornou a canção símbolo da Reforma Agrária.
Aqui, Viglietti canta no histórico Concerto "Abril em Managua", em 1983, durante a Revolução Sandinista.
"A Desalambrar" é precisa como um fuzil: conclama à derrubada dos arames que cercam a propriedade rural e vaticina que a terra é do povo, pois é quem realmente trabalha nela. Perfeita em sua simplicidade, é um exemplo claro de música-discurso e música-política.
Ao contrário dos pares brasileiros, e mesmo com sua sofisticação "erudita", Viglietti sempre atuou de modo muito mais radical em sua vida, o fazendo se aproximar das figuras ícones da Música-Política Americana, como Victor Jara, Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Oscar Chavez, os irmãos Mejia, entre outros.
O álbum de 1968, gravado no exílio em Cuba, "Canciones para El Hombre Nuevo", em que consta "A Desalambrar" é um marco na música-política uruguaia e americana. Pois ele ainda contém outras grandes obras, como "Milonga de Andar de Lejos", "Cruz de Luz", "Me Matam Si No Trabajo" (feita em parceria com o grande poeta cubano Nicolas Guillén), e a obra título "Canción del Hombre Nuevo".
Na canção título do álbum, Viglietti, além de fazer uma referência velada a Che Guevara, conclama o surgimento do novo homem, através da luta, armada: "Lo haremos tú y yo/ Nosotros lo haremos/ tomemos la arcilla/ para el hombre nuevo (...) Por brazo, un fuzil/ por luz, la mirada/ y junto a la idea/ una bala asomada (...).".
Em "Milonga de Andar de Lejos" Daniel faz uma belíssima canção de exílio, de modo muito contundente:
"Me Matan Si No Trabajo":
Além de querer intervir na realidade do povo urugauio, como internacionalista, com suas canções, Daniel sempre fez questão de marcar a vida de heróis populares de outros países das Américas, como em "Cruz de Luz", que ilumina a trajetória do padre-guerrilheiro colombiano Camilo Torres, (canção que também ficou famosa na voz de Jara):
Ou à memória do líder nicaraguense Sandino, em "Declaración de Amor a Nicaragua". Aqui, vale a pena prestar atenção para o rebuscado trabalho da "mão direita" no violão erudito, e na participação especial de Mário Benedetti:
Em "Por Todo Chile", Viglietti e Benedetti, em poesia lancinante, fazem testemunho maravilhoso sobre o Chile de Allende:
E, obviamente, à Ernesto Che Guevara:
Uma outra homenagem interessantíssima é a canção "Lamarca" feita em 1972, que saúda o guerrilheiro brasileiro:
Nesse vídeo, Daniel canta no FSM em 2010, no Rio Grande do Sul.
Além dessa obras, é fundamental ressaltar aqui outra obra fundamental de sua carreira, tanto artística quanto historicamente: "Sólo Digo Compañeros", em que defende claramente a luta armada, e a histórica guerrilha uruguaia dos Tupamaros:
Além dessas músicas revolucionárias, Viglietti criou pequenas obras-primas sobre a vida, que figuram no mais alto grau do cancioneiro popular americano, tamanha a delicadeza das poesias embricadas em um violão cintilante. Como podemos conferir em duas músicas sobre crianças, "Gurisito" ou "Negrita Martina":
Vale a pena ouvir ainda "Tímpano", seu programa de rádio. Nele Viglietti conta histórias, faz entrevistas, faz análises políticas, fala sobre arte, música e poesia. É possível ouvi-los neste link da rádio uruguaia Espectador:
http://www.espectador.com/1v4_historico.php?idZona=8&sts=1
Para conferir um estudo completo sobre Daniel Viglietti, confira a tese de José de Aguiar, do Depto. De História da UFRGS, sobre o artista uruguaio:
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/30597/000778805.pdf?sequence=1
E conferir também um concerto histórico: "Viglietti & Benedetti: A Dos Voces", disponível na íntegra no You Tube. Coloco aqui a 1a. parte, que, a partir dela, é possível achar as outras:
Por fim, além dessas canções antológicas, Viglietti escreve "Canción Para Mi America", em que defende a integração da América-Latina, realizada pelos povos oprimidos:
"Gurisito"
"Negrita Martina"
Vale a pena ouvir ainda "Tímpano", seu programa de rádio. Nele Viglietti conta histórias, faz entrevistas, faz análises políticas, fala sobre arte, música e poesia. É possível ouvi-los neste link da rádio uruguaia Espectador:
http://www.espectador.com/1v4_historico.php?idZona=8&sts=1
Para conferir um estudo completo sobre Daniel Viglietti, confira a tese de José de Aguiar, do Depto. De História da UFRGS, sobre o artista uruguaio:
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/30597/000778805.pdf?sequence=1
E conferir também um concerto histórico: "Viglietti & Benedetti: A Dos Voces", disponível na íntegra no You Tube. Coloco aqui a 1a. parte, que, a partir dela, é possível achar as outras:
Por fim, além dessas canções antológicas, Viglietti escreve "Canción Para Mi America", em que defende a integração da América-Latina, realizada pelos povos oprimidos:
Aqui, Daniel em uma gravação histórica, canta com Izabel e Angel Parra, filhos de Violeta.
E aqui ficamos com os versos dessa linda música, que explicita a essência de toda música-política americana "La guitarra americana, peleando aprendió a cantar!":
Es el tiempo del cobre
Mestizo, grito y fusil
Si no se abren las puertas
El pueblo las ha de abrir
(...)
La copla no tiene dueño
Patrones no más mandar
La guitarra americana
Peleando aprendió a cantar

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